O filme, infelizmente, repetiu-se. Assim como em 2006, o vôlei feminino brasileiro não conseguiu o título mundial diante das russas, já que as meninas do técnico José Roberto Guimarães acabaram derrotadas no tie-brak, em partida em que brilhou a estrela de uma jogadora chamada Ganova – a gigante russa (foto) desequilibrou no Japão e foi decisiva ao bicampeonato de sua equipe. Ao Brasil, restou criticar a arbitragem e já alimentar a esperança por mais uma medalha olímpica para daqui a dois anos, em Londres, na Inglaterra.
Mas a seleção, como bem ressaltado por treinador e jogadores, fez bonito. Apesar dos erros na grande decisão, demonstrou garra até o final e, com isso, desembarcou em solo brasileiro recepcionada com o reconhecimento do torcedor local, feliz com o empenho de quem para alguns não conseguiria passar do Japão – o time da casa – na semifinal do torneio no qual o Brasil obteve 10 vitória, perdendo apenas para a invicta Rússia.
No entanto, algo ficou engasgado na garganta das jogadoras, sobretudo do treinador, que não poupou críticas ao árbitro coreano Kim Kun-Tae – que seria reincidente em equívocos com o apito à boca. Afinal, foi ele quem também apitou a decisão do Mundial de 2006, quando as brasileiras fracassaram pela primeira vez. Para José Roberto, a participação negativa do árbitro foi decisiva, já que, quando o Brasil vencia o tié-brak por 7 a 6, o sujeito de olhos puxados não enxergou uma bola dentro em jogada de ataque de Sheilla.
As meninas salientaram que aquele lance poderia mudar a história do jogo, já que, se confirmado o ponto, o Brasil passaria a estar com dois de vantagem sobre as adversárias e a sete da conquista do título. José Roberto logo afirmou, talvez no calor do momento, que a FIVB, a Federação Internacional de Voleibol, já deveria ter adotado bolas com chip, de modo a evitar erros do tipo, comparando a situação que lhe acometeu a muitas vivenciadas no mundo do futebol.
Isso porque, para ele, a mesma novidade também deveria ser abraçada pela Fifa – que, inclusive, tem debatido a questão com mais afinco, apesar de muitos defenderem o contrário, sob a alegação de que tal avanço comprometeria a ‘graça’ do esporte. O técnico de voleibol, por sua vez, alfinetou os críticos ao dizer que o futebol seria ‘horrível’ justamente por conta dos equívocos de arbitragem.
José Roberto, convenhamos, exagerou um pouco, pelo simples fato de o futebol ser uma modalidade de muito mais contato físico do que o vôlei. A marcação de uma falta, por exemplo, é algo tão peculiar que talvez nenhuma tecnologia fosse capaz de ajudar a arbitragem nesse sentido. Só mesmo o olhar aguçado – atrelado a um bom preparo físico – de quem está a comandar a partida.
No último fim de semana, por exemplo, alardeou-se que o atacante Ronaldo, do Corinthians, ‘cavou’ um pênalti em jogo decisivo contra o Cruzeiro. O fato é que o veterano jogador, com a experiência que lhe sobra, espertamente valorizou o lance depois de ter sido sutilmente tocado na grande área. Ou seja, a sadia malandragem do futebol (algo não tão visto no vôlei) seria algo indestrutível, independentemente da qualificação do trio de arbitragem.
Portanto, reforço que a comparação do técnico da seleção de vôlei foi, digamos, infeliz!