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Às 15:02

Mais um campeão

2 set

Jerônimo Custódio dos Santos. Eis o nome da fera, que, representando Alagoas, abocanhou três medalhas de ouro na disputa do Campeonato Ibero-americano de Taekwondo para integrantes das polícias e Corpo de Bombeiros, realizado entre 15 e 25 de agosto, em Manaus, a capital do Amazonas.

Agente penitenciário, Jerônimo, hoje com 37 anos – dos quais 22 já forma dedicados ao esporte –, venceu em categorias distintas, provando assim o potencial que adquiriu à base de muita dedicação e suor: open (para atletas com idade entre 19 e 29 anos), sênior A (30 e 34 anos) e sênior B (34 e 37 anos).

Para se ter uma ideia da força de sua força de vontade, Jerônimo chega a treinar duas vezes por dia, em casa e na academia. Tamanho empenho não poderia resultar em outra coisa, não demorando muito para o agente alcançar a condição de faixa preta, já vislumbrando novos voos, não se contendo com o fato de já colecionar importantes conquistas: foi tricampeão, consecutivamente, da Copa Brasil de Taekwondo, tendo sido ainda bicampeão pan-americano. 

Segundo ele, a principal meta agora é participar do Mundial do próximo ano, na imponente Nova Iorque, nos Estados Unidos. Todavia, como de costume, o obstáculo da falta de patrocínio marca presença, motivo pelo qual já deixou de competir por diversas vezes, sempre apelando, em vão, para os nossos queridos empresários e gestores públicos – que insistem em não enxergar a possibilidade de se agregar valor àquilo com que se trabalha, apoiando talentos como Jerônimo. 

E só recordando, o taekwondo é esporte olímpico desde 2002. Em Pequim, em 2008, a paranaense Natália Falavigna conquistou uma inédita medalha de bronze, vindo a se consagrar como o maior nome do esporte por aqui, já que se tornou a única brasileira campeã mundial nas categorias júnior, adulto e universitário.

Às 22:07

Taekwondo segue fazendo adeptos

23 set

A arte marcial de origem coreana segue dando mostras de que é capaz de conquistar adeptos por onde passa e, sobretudo, de formar cidadãos. Para tal, basta um pouco de incentivo a iniciativas como a de Jorge Petrúcio, que dedica três dias da semana para realizar um trabalho cujo principal objetivo é elevar a alto-estima de uma comunidade cuja violência é sua companheira diária.

Reporto-me à recente reportagem do colega jornalista Luciano Milano, que esteve no bairro Chã da Jaqueira, periferia de Maceió, para conhecer os alunos - entre crianças, adolescentes e adultos - do professor Jorge. Lá, Milano se deparou com mais um exemplo de superação – é sempre assim, em se tratando do esporte ‘amador’ em nosso estado. Todos os 18 atletas treinam, acreditem, no salão de catequese de uma igreja daquele bairro.

O padre com nome sugestivo, Salvador Vela, dá uma santa mãozinha à equipe, cedendo o espaço já há mais de seis anos – sem que ninguém socorra o grupo, apesar das orações. Enquanto a ajuda das iniciativas pública e privada teimam em não aparecer, os lutadores seguem treinando em meio aos santos, embora nem estes estejam sendo capazes de melhorar uma situação que poderia ser pior não fosse um quesito chamado perseverança.

Foi esta determinação que levou três atletas, em especial, a se destacaram na última competição disputada pela equipe de Jorge Petrúcio. A conquista mais festejada foi a de Carla Dayres, que se sagrou bicampeã brasileira do Nacional realizado na capital cearense, Fortaleza.  Hoje com a faixa vermelha ponta preta – que antecede a ‘preta ponta amarela’, a número 11 das 12 faixas, encerrando-se com a preta ‘propriamente dita’ -, a jovem lutadora espera um dia alcançar o último nível da modalidade, o 10º DAN. 

Mas Carla é uma das atletas com dificuldade para renovar o material de treino e competição. Nada que a faça desistir de um dia ser chamada de mestre, apesar de o tal do Dobok (irmão do quimono utilizado no judô) custar cerca de R$ 90. Como se trata de um material que se estraga facilmente, devido ao permanente contato físico com o adversário, eis a dificuldade. Continuamos a torcer para que alguma alma caridosa alimente o sonho desse pessoal, ao menos para evitar que ninguém se deixe seduzir pelo mundo das drogas.

Sei que já escrevi o que repito neste post, mas não dá para esquecer o que ouvi, ainda quando estagiário de jornalismo, quando fui à favela do Reginaldo entrevistar garotos do Peti que têm aulas, também de taekwondo, com o professor Gabriel Sales. Ele me confessou, no início, quase ter desistido ao se deparar com a ousadia de um garoto de 15 anos, que, movido pela miséria do ambiente em que vive, cumprimentou o faixa-preta com uma frase nada amistosa: “O senhor tem um ‘bucho’ legal para tomar uma facada”.

Apesar da ameaça, o jovem, hoje, é um dos melhores alunos de Charles, graças à persistência do próprio. Moral da história? Dá-se jeito para tudo nessa vida. E com o esporte então, nem se fala! 

Embora saibamos que o simples fato de estarem no esporte já pode ser considerado uma vitória, a torcida é para que, no futuro, possamos aqui reproduzir talentos como o de Natália Falavigna (foto), paranaense de 25 anos que conquistou o bronze nas Olimpíadas de Pequim.

Às 1:48

Alunos do Peti brilham em São Paulo

25 jul

E dá-lhe Gabriel Sales (na foto, de branco, à direita)!! O grande responsável pela formação de uma equipe vitoriosa dentro e fora dos tatames conseguiu levar seus ‘discípulos’ a mais um grande feito: sete medalhas no 3º Festival Intercontinental de Taekwondo, competição realizada entre os dias 18 e 20 deste mês, em São Paulo.

Por lá, os meninos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) voltaram a mostrar que são capazes de superar obstáculos como o fato de ainda treinarem em meio a um cenário onde impera a desigualdade social: o galpão de uma escola situada no Vale do Reginaldo, periferia de Maceió.

O professor faixa-preta de taekwondo ainda foi escolhido, no festival, como o melhor técnico infanto-juvenil, ficando entre os cinco melhores técnicos do certame – algo muito valoroso para quem, no início das aulas, teve de aprender a lidar com garotos que extravasavam nos treinos toda a angústia de uma vida miserável, muitas vezes alimentada pelo desequilíbrio familiar – quase sempre fruto da falta de perspectiva à maioria dos pais de família que habitam as periferias dos grandes centros urbanos, onde se tornaram reféns do desemprego.

E a dedicação de pessoas como Gabriel têm retorno sim, ao contrário do que alguns preconceituosamente imaginam. “Hoje, estes garotos são minha família”, assegura o professor, que, na competição em São Paulo, também acompanhou, orgulhoso, a vitória de Filipe Costa Silva (ex-aluno e hoje monitor do Peti) na categoria adulto. Além de Filipe, outro coordenador do projeto, Leandro Miranda Freitas, também trouxe na bagagem uma medalha de ouro.

E por falar em bagagem, para a maioria dos participantes, esta foi a primeira e, sem dúvida, inesquecível viagem de avião. Esperamos que esta tenha sido a primeira de muitas – os meninos até foram convidados a competir nos Estados Unidos –, e que todos eles continuem a dar verdadeiros vôos no aspecto social.

Às 22:17

Um digno exemplo de inclusão pelo esporte

24 mar

Para quem gosta de ver obstáculo no trabalho proposto por aqueles que acreditam no poder de socialização do esporte, o projeto ‘tocado’ pelo professor faixa-preta de taekwondo Gabriel Sales é, no mínimo, digno de elogios. Ele está à frente da atividade desenvolvida pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) há mais de dois anos na favela do Reginaldo, lugar que, sem preconceito, muita gente não deseja conhecer em Maceió.

Gabriel conta que, no início, ficou assustado com o comportamento de alguns de seus atletas, todos menores de idade. “Mas, com o tempo, ganhei uma nova família”, conta o professor, que chegou a ter apontada uma faca, por um dos garotos, em direção a seu estômago. Hoje, as cerca de 100 crianças e adolescentes vêem, no esporte, a disciplina necessária ao dia-a-dia de quem precisa ‘ralar’ muito para superar as adversidades da vida, principalmente quando esta vida não lhe oferta condições para tal.

E Gabriel não hesita em afirmar que, caso não tivessem freqüentado as aulas, alguns deles já teriam “prosseguido a vida por outro caminho”. Felipe da Costa, que já competiu e venceu, ‘aos trancos e barrancos’, competições fora do Estado, teve de deixar a equipe quando começava a se destacar porque já atingiu a maioridade. “Fico feliz pelo simples fato de saber que o ajudei, de alguma forma, a levar uma vida sadia”, reflete Gabriel Sales, cujos alunos já botam medo em muito marmanjo. Basta lhes fazer uma visita para conferir – às tardes de segunda, quarta ou sexta-feira. Pergunte a quem quiser onde acontecem as aulas de taekwondo. A resposta é imediata, tamanha a aceitação da comunidade: “É logo ali”!