Este é o verdadeiro maluco beleza do nosso esporte. Marcelo Silva, carioca de 48 anos que não dispensa uma boa aventura chamou a atenção da imprensa nacional ao anunciar que percorrerá, a partir de setembro próximo, trecho compreendido entre a Guiana Francesa e a Argentina, passando por todo o litoral brasileiro. Até aí nada de muito anormal. Mas o desafio seria um simples ‘passeio’ se o desmiolado desportista não o fizesse em cima de um skate.
Já tínhamos visto loucuras semelhantes, mas protagonizadas por pessoas que dispunham de veículo de locomoção um pouco mais veloz, como uma bicicleta, por exemplo. Com um skate, convenhamos, não será nada fácil, apesar de Marcelo garantir carregar consigo quase tudo (de mapas até comida e kit de primeiros socorros) que lhe será indispensável durante a longa viagem de 13 mil quilômetros.
A maior distância percorrida pelo carioca – que também já se pedalou em situações adversas, arriscando-se também no salto de pára-quedas – foi de ‘apenas’ 2,3 mil km, quando saiu de Brasília até o Rio de Janeiro.
Disposição do tipo me faz lembrar recente reportagem da TV Gazeta sobre alagoanos adeptos do ironman, disputa em que o atleta precisa se sobressair em três modalidades, como no triathlon, em que o competidor nada, pedala e corre antes de cruzar a linha de chegada (a diferença é que, no primeiro, o desgaste é imensamente maior). Mas nada se compara, nem de longe, à iniciativa do colega skatista.
Afinal, serão 330 dias em que o doidinho irá praticamente se isolar de tudo, isolando-se em um mundo particular em que – não muito diferente daquele em que vivemos – terá de lutar bastante para se superar a cada dia, buscando disposição em cada recanto que cruzar ao percorrer uma média diária de 40 km, só não se sabe a que velocidade (no caso específico, as ladeiras, mesmo que as encarassem apenas descendo, seriam uma faca de dois gumes).
Como se não bastasse, os desafios não se limitarão à questão da resistência física. Isso porque ele precisará considerar os fatores externos, como frio, calor, além dos aspectos estruturais de cada região. Ele lembra que enfrentará setores com mais de 500 quilômetros sem muito apoio, ou seja, trechos em que seu único companheiro será o vento no rosto. Isso sem falar no fluxo de caminhões nas rodovias movimentadas, representando assim mais um risco (por aqui, ainda existiria o medo de ser assaltado na primeira curva).
Que Marcelo consiga entrar para história. Caso isso aconteça, tudo estará registrado em uma câmera que seguirá seus passos, a fim de que o Raul Seixas do skate possa figurar, merecidamente, no livro dos recordes.