
Que festa! Parecia uma final de Copa do Mundo, com gol de Brasil sobre a Argentina, só que com placar de jogo de basquete (66×32)!! Acabei de acompanhar tudo sobre a escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 – até lá, muita coisa a fazer. A festa, contudo, já cede espaço à imensa responsabilidade ao país derrotado em quatro tentativas – uma com Brasília e três com a mesma ‘cidade maravilhosa’, que agora precisa trabalhar bastante para não decepcionar a chance que lhe foi dada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
Longe de um prêmio de consolação, o Brasil deu mostras de que pode sim organizar uma Olimpíada, apesar dos tantos problemas a resolver, a começar pelo sistema de transportes, ainda deficitário. Desbancar Chicago, Tóquio e Madrid – com toda a sua infra-estrutura, tendo 77% do planejado já fora do papel, e tradição no esporte, além do apoio popular (o único que superou o do Brasil) à realização dos Jogos – realmente foi motivo de muito orgulho.
Na Dinamarca, onde foi anunciado o vencedor depois de muito suspense, o presidente Lula – bastante emocionado – disse que o Brasil não derrotou Obama, que até chegou a dizer que não iria a Copenhague apoiar a candidatura norte-americana. De última hora, mudou de ideia, talvez ao perceber a força da candidatura carioca. Esforço em vão. Prevaleceu mesmo o calor humano brasileiro, além da capacidade, já demonstrada, de organizar grandes eventos.
A experiência adquirida com os Jogos Pan-americanos de 2007 – que apresentaram falhas, apesar de nada muito grave -, e a conquista da Copa do Mundo de 2014 (que servirá como mais um teste à realização do maior evento esportivo do mundo), reforçam nossa esperança de que tudo vai dar certo. Ainda bem que desta vez nós vencemos – gastou-se quase R$ 200 milhões com o projeto, finalmente aprovado. Afinal, o desgaste, para daqui a quatro anos, certamente seria muito grande e, com ele, a falta de motivação para tentar trazer, pela primeira vez na história, os Jogos ao continente sul-americano.
Lula afirmou nunca ter sentido tanto orgulho de ser brasileiro, mas já salientou a necessidade de se por de volta os pés no chão. Até que não defendia, no começo, uma candidatura como esta, sempre muito dispendiosa para um país como um nosso. Com a exceção de gafes como a de Pelé – que, durante a campanha, confundiu o astro do basquete Michael Jordan com o Jackson dos palcos, já falecido -, acredita-se que os benefícios irão compensar tamanho investimento, orçado em R$ 1,3 bilhão. Somente o empresário Eike Batista – ex-marido da sambista Luma de Oliveira – fez uma contribuição de R$ 23 milhões para a revitalização da Marina da Glória.
A expectativa é de que sejam mantidos 18 mil empregos após os Jogos. Todos vamos torcer para que isto ocorra, contanto que não se isole os morros cariocas nos pouco mais de 15 dias de disputas, na tentativa de se esconder a flagrante miserabilidade de um povo que pouco ou simplesmente nada lucrará com a competição – caso, por exemplo, este mesmo povo não seja devidamente capacitado para receber os visitantes de todo o planeta.
Bom seria se uma Olimpíada nos trouxesse, para sempre, melhorias à Educação, Saúde e Segurança Pública. Esta até veremos nas duas semanas de jogos, com o Exército provavelmente tomando as ruas. Que o esporte fortaleça nossos dirigentes no combate ao tráfico de drogas. Caso contrário, a vida da ‘garota carioca, swing sangue bom’ – como bem propaga Fernanda Abreu - continuará a mesma quando a pira olímpica se apagar.