Laís Lessa. Jovem de apenas 14 anos de idade que, para muitos, tornou-se o maior nome do judô feminino de Alagoas. Competindo desde os seis anos de vida, Laís logo deu mostras de que cresceria, feito um tsunami, no esporte. Os títulos não me deixam mentir: quatro vezes campeã brasileira regional, tricampeã brasileira geral, campeã sul-americana e pan-americana, ano passado, em Porto Alegre-RS, competição em que já havia figurado no lugar mais alto do pódio em duas oportunidades (2007, na Colômbia, e 2006, na Venezuela).
O apoio à estudante do 1º ano do ensino médio, contudo, segue limitado à abnegação da equipe do Sesi em Alagoas – além de a um desconto no colégio onde estuda, o Inei Coc –, que a auxilia com passagens aeres ao longo de cada ano. Laís e o pai coruja, Gerônimo Lessa, esperam conseguir mais patrocínios em 2010, a fim de que a judoca possa alçar voos ainda mais importantes, já que, dado o seu potencial, há quem a credite chances de disputar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Despesas
“São muitos os gastos, como suplemento alimentar e o material para viagem e treinamento. Só para se ter uma ideia, um bom quimono chega a custar seiscentos reais, quando o que pudemos comprar para ela custa algo em torno de duzentos”, conta o pai, sendo complementado pelo professor faixa-preta e presidente da Federação de Judô do Estado de Alagoas (Fejeal), José Cabral.
“Ela é a melhor do estado, sem dúvida alguma, pois, os melhores títulos foram por ela conquistados. A Laís pode ser inserida em um projeto audacioso, mas plenamente possível, que é o dos Jogos do Rio”, revela o treinador, acrescentando que sua pupila já fora convidada para participar, em março deste ano, do Circuito Europeu de Judô, a ser realizado na Alemanha, onde deverá permanecer por cerca de 20 dias.
Sem adversários
“Ela há muito não mais tem adversários à altura em Maceió. Por isso, apesar de o pai cobrar a conclusão dos estudos, o que é correto, a Laís precisa deixar Alagoas para manter e aperfeiçoar sua técnica em um grande centro, como São Paulo. Ela esteve durante toda a férias escolar participando de treinamento em Araras, no interior de São Paulo, a convite do professor Marco Mercadante, que também é diretor da Federação paulista. Foi a viagem de férias que ela pediu ao pai”, descreve Cabral, acrescentando que, ainda este ano, Laís tem outras grandes competições pela frente, como o próprio Brasileiro, em junho, e o Pan-americano em setembro, em Orlando, nos Estados Unidos.
“Uma viagem dessas com ela chega a nos custar seis mil reais, devido ao gasto elevado com estadia. E nem sempre posso acompanhá-la, o que me é muito triste. É difícil ver uma filha ainda pequena buscando seu objetivo, sozinha, em lugares que lhe são desconhecidos”, destaca o pai, reforçando a importância de um acompanhamento permanente.
“Ela foi a única do Nordeste a se classificar para o Pan, na categoria até quarenta quilos. Para o ano que vem, farei a inscrição de minha filha ao Bolsa Atleta do Governo Federal, já que nem Prefeitura de Maceió, nem Governo do Estado nos procuraram até agora”, conta Gerônimo Lessa, cuja filha também sonha um dia cursar a faculdade de medicina.
“Mas é claro que também me animo quando o assunto é Olimpíada. Acredito que eu possa conseguir”, entusiasma-se a judoca, cuja rotina de estudos e treinamento não é nada fácil. “Acordo cedo para ir à escola e treino quase todos os dias, de segunda a sábado, geralmente no final da tarde até umas oito horas da noite. Mas nas férias, treinei nos três períodos”, revela a pequena Laís.
O que diz o poder público
Procurado pelo blog, o secretário-adjunto de Estado da Educação e do Esporte, Jorge Sexto (camisa azul), explicou que a atleta, por meio da Federação, precisaria ter procurado a entidade com antecedência, a fim de que alguma forma de apoio à judoca já para a viagem de Laís à Alemanha – devido à proximidade da competição. “Não temos autorização para conceber apoio a atleta, assim como para custear viagens internacionais. Negociamos apenas com as federações. Isto é lei. O Siafem [Sistema de Administração Financeira para Estados e Municípios] está fechado, mas veremos o que podemos fazer”, afirmou.
Já o secretário municipal de Esporte e Lazer, o ex-lutador Eduardo Canuto (na foto à esquerda, ladeado pelo ministro do Esporte, Orlando Silva), também destacou que a ajuda só pode ser concedida à Federação. “A Laís é a melhor atleta do Brasil na sua categoria, até quarenta quilos. Hoje, visualizamos a Laís e o Tiago Fernandes, do tênis, como os alagoanos com condições de irem à Olimpíada do Rio. No ano passado, a federação de judô foi atendida, na medida do possível, em todos os seus pleitos. A questão é que nossa pasta trata da inclusão social por meio do esporte, o que não é o caso, já que a Laís é uma atleta de alto rendimento. Contudo, como sabemos que os outros não fazem a parte deles, fazemos o possível para também apoiar atletas nessa situação, apesar de sabermos que, no caso da Laís, é a Confederação Brasileira de Judô, por meio de verba do Ministério do Esporte, quem deve custear as despesas da garota”, esclareceu o secretário, garantindo que a Semel ‘continua de portas abertas à melhor judoca do estado’.
Canuto ainda cobra mais organização às federações como um todo. “Nós trabalhamos com vinte e cinco mil reais, enquanto que o estado, com cento e cinqüenta mil. Mas ainda assim nos viramos para ajudar quem nos procura. O problema é que algumas federações deixam tudo para a última hora e, quando aparecem, chegam com cem atletas necessitando de passagens aeres, por exemplo”, emendou.