Capoeira longe das escolas
15 mai
Alagoas possui um Núcleo de Apoio e Desenvolvimento de Capoeira, o Nadec. No último mês de março, o grupo realizou um seminário, em escola no bairro Santa Lúcia, periferia de Maceió, com o intuito de preparar os professores e mestres de capoeira às atividades nas unidades de ensino. Uma iniciativa louvável e que poderá resolver um problema que passo a expor.
Com a chegada da lei 10.639/03, incluiu-se no currículo escolar – para estudantes do ensino fundamental e médio - a História e Cultura Afro-brasileira e Africana como nova disciplina. Porém, como atestam os mestres de capoeira, tal obrigatoriedade ainda está muito longe de ganhar todas as unidades de ensino no estado, no que diz respeito à extensão da teoria, chegando-se à prática por meio do esporte.

E é difícil acreditar que ela, a capoeira, já é praticada em mais de 150 países, sendo capaz de congregar pessoas de diversas faixas etárias e classes sociais. Até mesmo os que adotam um posicionamento religioso contraditório, rende-se aos encantos do jogo.Ao longo dos tempos, a capoeira tem se mostrado uma grande aliada da sala de aula, sendo uma importante ferramenta à inclusão social. O grande problema, infelizmente, continua a residir no preconceito – mesmo que implícito – de algumas pessoas.
Nem o futebol tem tido muito espaço em escolas cada vez mais vidradas na preparação para o vestibular. Já a ‘tradicional’ educação doméstica também faz com que a capoeira seja vista, no mínimo, com certa desconfiança.
Em 2006, lembro-me de uma pesquisa que fiz, ainda quando estagiário de jornalismo, para saber quantas escolas particulares da capital adotariam a capoeira como esporte: à época – e não me assustei nem um pouco com o que vi -, nenhuma das 10 grandes instituições que visitei.
Enquanto que alguns educadores alegaram justamente o que exponho (a falta de interesse pelo alunado), outros lembraram a falta de qualificação do mestre de capoeira – eles exigem que seja formado em Educação Física. Uma cobrança justa, mas longe de justificar a carência. Muito provavelmente, pouca coisa, ou nada mudou, em três anos.


Embora represente uma atividade popular que, não há muito tempo, significava a luta de um povo pelo direito à vida, a capoeira está longe de competir, em igualdade de condições, com outras modalidades esportivas praticadas no ambiente escolar, seja por falta de interesse de educadores e alunos, seja por puro preconceito.