Venceu o melhor
14 jul
A conquista da Copa do Mundo da África do Sul pela seleção espanhola – o que já era esperado por muitos – foi inquestionavelmente merecida.
Com uma campanha quase perfeita (perdeu na fase de classificação para a Suíça, por 1×0, o que levantou suspeita por parte de quem apostava até nos 100% de aproveitamento), o time do craque David Villa desbancou grandes times – ao contrário do Uruguai, por exemplo, que chegou a uma semifinal depois de eliminar, injustamente, a seleção de Gana, com direito a atacante dando uma de goleiro – e chegou à decisão que fez jus a uma final de Copa, com duas equipes brigando até o fim pelo título inédito (independentemente de quem levantasse a taça).
E sem qualquer revanchismo – a Holanda se classificou em cima dos erros brasileiros, e nada mais –, digo com convicção que venceu o grupo mais técnico, para a infelicidade daqueles que defendem a ‘volantada’. Os espanhóis conseguiram se sobressair mediante a frieza da equipe que, convenhamos, ficou longe de ter sido considerada a nova ‘laranja mecânica’, a reedição do carrossel holandês, ou qualquer outra coisa que fizesse lembrar a performance holandesa na década de 70.
Analisando a partida final no belíssimo Soccer City – a expectativa só começou para que o Brasil consiga fazer ao menos uma Copa igual, em termos de organização, a da África –, veio-me a revolta de não ter visto nossa Seleção (que, apesar dos pesares, poderia ter ido mais adiante) passar pela Holanda. Exaltaram todos os ‘Vans’. Van Persie, Van Bommel, além de Sneijder e Robben, nenhum deles comparável a um Kaká em boa faze – principalmente o tal do Robben, que parece só ter aprendido a fazer uma jogada (puxar a bola para a perna esquerda e tentar soltar uma bomba!).
E para os prognósticos de plantão, a Espanha levou a taça com outras duas interessantes marcas: a Fúria teve a zaga menos vazada do Mundial, com apenas dois gols (mérito para uma defesa já consagrada no futebol internacional, a exemplo do goleiro e capitão Casillas – foto), além de ter sido campeã com o menor número (8) de gols na história das Copas – o que, para alguns, foi uma surpresa, por se tratar de um time do qual se esperava certo futebol arte.
Mas nada foi capaz de retirar o brilho da conquista espanhola. Vale lembrar também que boa parte do time campeão já atua junto pelo Barcelona, motivo pelo qual já se acostumou a vencer. Resta-nos a conformação da derrota, na esperança de que façamos diferente por aqui.
Menos mal é que Maradona não venceu e ainda deixou a Copa sob goleada, apesar de, na Argentina, como de costume, ter sido recebido com festa. Se tivesse triunfado, não suportaríamos tanta adoração (para não dizer bestialidade) até 2014.

